Palmas (TO),

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    08/06/2019

    Ex-motorista de Frota diz que foi usado como laranja pelo deputado do PSL

    Marcelo Ricardo Silva afirma que, a pedido do ex-patrão, registrou em seu nome duas empresas que na verdade pertenciam a Frota. Deputado divulgou nota em que afirma que Silva foi demitido e passou a fazer ameaças e tentativa de extorsão.

    O deputado Alexandre Frota (PSL-SP), durante sessão na Câmara em maio — Foto: Michel Jesus/Câmara dos Deputados
    Um ex-motorista do deputado Alexandre Frota, do PSL de São Paulo, disse ao Ministério Público que foi usado como laranja pelo parlamentar. A partir do relato, a promotoria abriu um processo de investigação que está em fase inicial. Frota divulgou nota em que afirma que Marcelo Ricardo Silva foi demitido por comportamento inadequado, e que depois disso passou a fazer ameaças e tentativa de extorsão (leia a íntegra mais abaixo).

    Em uma foto do dia 14 de dezembro de 2018, publicada em uma rede social, Frota diz que está indo para o trabalho. Quem dirige o carro é Marcelo Ricardo Silva, que ainda guarda registro de algumas ligações do ex-patrão. Marcelo era motorista particular e servia também a família e o filho do deputado, ajudava na campanha e lidava com dinheiro.

    Uma reportagem da "Folha de S.Paulo" deste sábado (8) revela que o ex-motorista diz que foi usado como laranja pelo deputado. Ao Jornal Nacional, ele repetiu a acusação que foi registrada no Ministério Público de São Paulo no último dia 28 de maio.

    Marcelo diz que, a pedido do ex-patrão, registrou em seu nome duas empresas que na verdade pertenciam a Frota: a FR Publicidade e Atividade Artística e a DP Publicidade Propaganda e Eventos.

    Também a pedido de Frota, Marcelo diz que recebia em suas próprias contas bancárias valores que depois eram repassados à mulher do deputado.

    No total, ele diz recebido e repassado mais de R$70 mil. Afirma também que seu salário muitas vezes teria sido pago por empresários como forma disfarçada de doação de campanha.

    Silva diz que decidiu denunciar o deputado porque teve problemas como não receber seguro-desemprego por ter se tornado sócio do ex-patrão. Além disso, afirma que foi contratado para o gabinete do deputado, mas acabou ganhando menos do que o prometido, além de ser demitido sem explicação. A contratação de Marcelo e a exoneração, ocorrida 25 dias depois, constam no Diário Oficial.

    O que diz Frota

    O deputado Alexandre Frota divulgou nota em que afirma que Marcelo Ricardo Silva foi demitido por comportamento inadequado, e que depois disso passou a fazer ameaças e tentativa de extorsão.

    A nota diz ainda que Frota registrou um boletim de ocorrência e uma representação na polícia da Câmara dos Deputados para proibir o ex-motorista de entrar no Congresso.

    Frota defende ainda que o ex-funcionário nunca trabalhou na campanha eleitoral, que ele foi contratado e registrado como motorista particular e que nunca teve nenhuma relação ilegal com o ex-funcionário.


    Por G1