Palmas (TO),

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    28/08/2019

    Pequenos negócios que implantaram energia fotovoltaica usaram recursos próprios

    Pesquisa do Centro Sebrae de Sustentabilidade em parceria com Absolar e Fundação Seade foi lançada, hoje (28), no Congresso Intersolar South America 2019 em SP; falta de informação e dificuldade de crédito são obstáculos para o uso desta fonte renovável por micro e pequenas empresas

    ©DIVULGAÇÃO
    O Brasil tem tudo para se tornar um exemplo no uso de diversas fontes renováveis, limpas e sustentáveis de energia, se ampliar a adoção dos sistemas fotovoltaicos e a eólicos além da hidráulica (61% da matriz elétrica nacional), nos próximos anos. Em relação à energia solar fotovoltaica o céu é literalmente o limite, pois o sol é generoso com o país, que possui extraordinários índices de radiação em praticamente todo o território nacional.

    As condições solares são tão favoráveis que é quase inexplicável porque a fonte solar ainda não é usada em residências, empresas, fábricas e fazendas brasileiras. A redução dos custos da energia elétrica e os benefícios ambientais são as principais vantagens da tecnologia solar tanto para o cidadão como para empresários e empreendedores.

    No Congresso Intersolar South America 2019, maior evento de energia solar fotovoltaica da América do Sul e do Hemisfério Sul, que está acontecendo em São Paulo (SP), desde ontem (27), os entraves e também os bons exemplos e iniciativas estão sendo apresentados e debatidos.

    Nos últimos oito anos, o movimento em prol da energia solar fotovoltaica se tornou um caminho sem volta no Brasil. A histórica Resolução Normativa 482/2012 da Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) é o marco deste movimento integrado por empresários de vários setores, engenheiros eletricistas, especialistas e entidades representativas de consumidores e do mercado, que sabem o quanto a energia do sol pode ser uma aliada do desenvolvimento sustentável.

    No momento, a revisão da RN 482 da ANEEL desperta muitas esperanças para que seja aprimorada permitindo ajustes equilibrados e justos à expansão da geração distribuída, compartilhada e remota da energia fotovoltaica no país. Não se trata de competição com a fonte hidráulica, mas de aumentar as alternativas de geração de energia elétrica de boa qualidade, renovável, sustentável e de baixo custo. Para desenvolver é preciso contar com muita energia, segundo palestrantes e congressistas da Intersolar 2019.

    Pesquisa inédita

    Foi neste ambiente de debates e boas perspectivas que a pesquisa ‘Energia Solar Fotovoltaica e os Pequenos Negócios no Brasil’, realizada pelo Centro Sebrae de Sustentabilidade (CSS) em parceria com a Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (ABSOLAR) e Fundação Seade foi lançada, nesta tarde (28).

    Os resultados deste estudo inédito foram apresentados no painel ‘O Futuro da Geração Distribuída Solar Fotovoltaica no Brasil’ do qual participaram: Bárbara Rubim, vice-presidente de Geração Distribuída da ABSOLAR; Rodrigo Limp, diretor da ANEEL; Ítalo Freitas, presidente da AES Tietê; Surya Mendonça, CEO da Órigo Energia; Rafael Almeida Silva, analista do Sebrae MT; e Gustavo Coelho, analista da Fundação Seade. Cerca de mil pessoas estavam no auditório Cantareira no Expo Center Norte.

    Os resultados da pesquisa foram baseados nas entrevistas realizadas por telefone com 3.199 empresários de micro e pequenas empresas dos 26 Estados e do Distrito Federal dos quatro principais setores econômicos: agropecuária, indústria, comércio e serviços, no período de 14 de maio a 15 de julho deste ano. A amostragem da pesquisa foi baseada na RAIS 2016.

    Os maiores desafios detectados pela pesquisa para a expansão da energia fotovoltaica entre os pequenos negócios foram: assegurar informação sobre esta fonte de energia renovável e limpa e os mecanismos de estímulo e apoio à sua adoção; e superar a percepção de que é necessário um elevado investimento inicial e da dificuldade para acessar crédito para este fim.

    A pesquisa está acessível no portal do CSS para download.

    Conheça alguns dos principais resultados, abaixo.

    Em relação ao uso e conhecimento sobre energia solar fotovoltaica, os resultados foram os seguintes:

    70,7% conhecem pouco e não usam

    20% não conhecem

    9,2% conhecem bem, mas não usam

    0,1% usam

    O grau de informação dos entrevistados sobre energia solar fotovoltaica:

    39,7% já ouviram falar

    31% conhecem pouco

    11,4% primeira vez que ouvir falar

    9,2% bem informados

    8,7% não conhecem

    A maioria instalou sistema fotovoltaico conectado à rede:

    93,4% conectado à rede;

    6,6% isolado ou autônomo.

    Como os sistemas fotovoltaicos foram financiados:

    51,3% recursos próprios dos empresários

    21,6% instituições financeiras púbicas

    20,1% instituições financeiras privadas

    1,7% fornecedores de equipamentos

    1,7% outras instituições públicas

    0,8% outros

    6,1% não sabem

    Incentivos fiscais para instalar sistemas fotovoltaicos:

    79,4% não tiveram incentivo fiscal

    14,4% não sabem

    3,8% estaduais (ICMS)

    2,5% federais (PIS, Cofins, IPI, etc)

    0,8% municipais (IPTU, Verde, ITBI, etc)

    Fonte de assistência técnica:

    64,2% fornecedor do sistema

    25,6% empresas técnicas especializadas

    8,9% sem assistência técnica

    0,8% agentes financeiros

    0,4% instituições públicas

    0,4% institutos de ensino e pesquisa

    1,5% outros

    1,5% não sabem

    Resultados positivos do investimento em energia solar fotovoltaica:

    83,9% redução de gastos com energia elétrica

    20,3% benefícios ambientais

    12,7% retorno do investimento

    10% redução de impostos e taxas

    7,2% segurança, regularidade e autonomia na produção de energia

    3% imagem e competitividade da empresa

    2,5% créditos de energia

    2,1% outros

    4% não tiveram resultados positivos

    Pretendem investir mais em energia renovável nos próximos dois anos:

    47,5% ampliação do sistema solar fotovoltaico

    12,5% outras fontes renováveis

    Entre os pequenos negócios que conhecem bem mas não usam energia solar fotovoltaica: acreditam que haveria benefício se a empresa adotasse sistema fotovoltaico (por regiões):

    84,8% Região Norte

    79,7% Região Centro-Oeste

    75,8% Região Nordeste

    72,3% Região Sudeste

    68,9% Região Sul

    Motivos dos empresários que conhecem bem, mas não usam energia solar fotovoltaica:

    41,5% falta de recursos, investimento inicial alto

    19,9% imóvel não é próprio

    13,1% faltam informações sobre benefícios e aspectos técnicos

    8,6% área insuficiente, prédio, pouca incidência de sol

    5,1% impostos elevados

    Embora não usem energia solar fotovoltaica, adotam práticas de eficiência energética:

    51,3% troca de equipamentos por mais eficientes

    42,3% horários definidos para ligar e desligar equipamentos

    30,8% implantação de sensores de presença nos ambientes

    3,1% uso de outras fontes renováveis

    Entre os que conhecem bem mas não usam, pretendem investir em sistema fotovoltaico nos próximos dois anos:

    87,5% Região Norte

    56% Região Sul

    55,1% Região Nordeste

    52,3% Região Centro-Oeste

    46,3% Região Sudeste

    Entre os que não conhecem energia solar fotovoltaica, poucos conhecem energias renováveis, (exceto energia solar para aquecimento de água):

    50,7% energia solar para aquecimento de água

    43,4% nenhuma fonte renovável

    25,6% energia eólica

    7,9% hídrica

    2,4% biomassa/ biogás

    Praticamente todos que não conhecem energia fotovoltaica valorizam medicas de estímulo para adoção de energia solar fotovoltaica:

    96,9% redução de impostos

    93,6% programas federais, estaduais e municipais de incentivos

    90,7% possibilidade de obter crédito com energia gerada

    88,9% linhas de financiamento e crédito

    79% montar consórcios com outras empresas ou vizinhos


    ASSECOM/SEBRAE

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