Palmas (TO),

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    28/09/2019

    Ex-governador passa segunda noite na prisão e recebe primeiras visitas

    Marcelo Miranda (MDB) continua preso em uma sala do estado maior no Quartel do Comando Geral da Polícia Militar. Defesa informou que só deve entrar com pedido de habeas corpus na próxima semana.

    ©ARQUIVO
    O ex-governador do Tocantins, Marcelo Miranda (MDB), passou a segunda noite preso e começou a receber visitas no Quartel do Comando Geral da Polícia Militar de Palmas. Até o momento, só parentes e o advogado da família, Jair Alves Pereira, falaram com o político. Miranda está em uma sala do Estado Maior desde a última quinta-feira (26).

    O irmão dele, Brito Miranda Júnior, também continua detido. Ele foi levado para uma cela especial na Casa de Prisão Provisória de Palmas destinada a presos que possuem diploma de nível superior. O advogado dos dois chegou na capital nesta sexta-feira (27) e informou que não deve entrar com o pedido de habeas corpus, para que eles respondam em liberdade, durante o fim de semana. Isso só deve ocorrer a partir da segunda-feira (30).

    O pai dos dois, José Edmar Brito Miranda, foi libertado na sexta-feira (27) após pagar fiança de 200 salários mínimos. Ele é apontado pelo Ministério Público Federal como o principal responsável pelo suposto esquema que pode ter desviado mais de R$ 300 milhões dos cofres públicos do Tocantins. Apesar disso, a Justiça levou em consideração a idade avançada, de 85 anos, e o estado de saúde de Brito Miranda para autorizar a soltura dele.

    O esquema

    Conforme a decisão judicial, Brito Miranda, pai do ex-governador, e Brito Miranda Júnior, irmão, funcionavam como pontos de sustentação para "um esquema orgânico para a prática de atos de corrupção, fraudes em licitações, desvios de recursos, recebimento de vantagens indevidas, falsificação de documentos e lavagem de capitais, cujo desiderato [finalidade] era a acumulação criminosa de riquezas para o núcleo familiar como um todo."

    Os investigadores concluíram que os atos ilícitos eram divididos em sete grandes eixos, envolvendo empresas, fazendas, funcionários públicos e laranjas, "que se relacionavam organicamente entre si para o desenvolvimento exitoso das atividades criminosas, mas que funcionavam como grupos formalmente autônomos e independentes, sempre apresentando Marcelo Miranda, Brito Miranda e Brito Júnior como elo de ligação".

    A decisão aponta ainda que, durante as investigações, foram verificados episódios de falsificação de escrituras públicas e registros de imóveis vinculados à família para promover a ocultação e blindagem patrimonial. Também há indícios de ameaças a testemunhas, compra de depoimentos e destruição de provas.

    A investigação ainda apontou a utilização de equipamentos de contrainteligência para dificultar e impedir a investigação pelas autoridades policiais. "Assim como a rara utilização do sistema bancário legalizado, consoante teria restado claro a partir do insucesso das medidas de bloqueio determinadas pelo eminente ministro Mauro Campbell Marques", diz a decisão.

    O texto da decisão afirma que a sucessão de atos de investigação não resultou no desmantelamento da organização criminosa, que continuaria em pleno funcionamento através de prepostos. A lavagem de dinheiro se daria pela aquisição de fazendas, aviões, veículos e gado mediante a ausência de escrituração em nome de laranjas.

    Trajetória política

    Marcelo Miranda foi eleito governador do Tocantins três vezes, sendo cassado duas vezes. Ele governou o estado entre 2003 e 2009 e entre 2015 e 2018. A última cassação foi por causa de um avião apreendido em Goiás com material de campanha e R$ 500 mil ligados a campanha do ex-governador em 2014.

    Ele também foi eleito senador da República, mas não pôde assumir porque foi considerado inelegível.


    Por G1 Tocantins


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