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    01/11/2019

    ARTIGO| Presidente sem traquejo

    Vocabulário de Bolsonaro faz Rui Barbosa se remexer no túmulo

    Por: Edílson José, jornalista*
    O vocabulário inaugurado no mais alto poder da república com a posse de Jair Bolsonaro é de fazer Rui Barbosa se remexer no túmulo. Para analistas da nossa política, o desconhecimento, falta de ética, respeito e de capacidade aliados a competência de criar crises, poderá levar a já combalida economia para um abismo que muito provavelmente levará décadas para se recuperar.

    Para formar opinião sempre tenho lido e acompanhado depoimentos daqueles analistas que sempre foram críticos e ainda são, da política do PT. Afinal de contas, não seria bom senso ouvir quem perdeu. Quem perde normalmente tenta explicar a derrota e, para isso, procura arrumar desculpas e culpados. Por isso, a importância de ouvir o que dizem os que são contra os que saíram para ter uma noção da avaliação que fazem daqueles que entraram.

    O historiador Marco Antônio Villa, por exemplo, não acredita que Bolsonaro consiga terminar o seu mandato de quatro anos. Sairia por impeachment ou mesmo renúncia. Falta a ele traquejo para o cargo, além de formação para fazer algo produtivo para o país. Elegemos um político velho e sem preparo para inaugurar aquilo que alguns chamam de nova política. Se a coisa estava ruim, pode ficar tranquilo que pode piorar muito mais.

    No ponto de vista de Villa, Bolsonaro é o típico político brasileiro. Em 30 anos ocupando cargos de vereador, deputado e presidente, ele colocou e elegeu na política uma das três mulheres com quem se casou e os três filhos, um eleito com 17 anos vereador e quando tomou posse havia completado 18, um deputado federal e um senador. Além disso, nos gabinetes Bolsonaro foram nomeados ao longo do tempo 102 familiares. Ou seja, sangue do mesmo sangue, usufruindo do mesmo dinheiro público.

    Um amigo da família e que até hoje ocupa posição de destaque no clã, seja de forma positiva ou negativa, Fabrício Queiroz, foi chefe de gabinete, estaria ligado ao escritório do crime de milicianos comandados pelo capitão Adriano, um homicida expulso da Polícia Militar. E olha que para ser expulso da PM do Rio de Janeiro não basta apenas dar algumas “caneladas”, é preciso muito mais.

    A leitura que os analistas que estão mais próximos do poder estão fazendo realmente não é boa. Avaliam o presidente como uma pessoa que não sabe combater o bom combate, que não se adapta aos princípios republicanos, taxam o mandatário da nação de ignorante e de um ser humano com grande dificuldade de raciocínio.

    Fora isso tem a guerra interna do amontado de pessoas que deu origem ao PSL que agora chamam de partido. Além dos laranjais que desagregam, eles brigam como urubus pela carniça, afinal de contas a estimativa é de que em pouco mais de dois anos devem entrar nos cofres do PSL um valor superior a R$ 700 milhões, e aí todo mundo quer a chave e a senha do cofre. E todo esse dinheiro é recurso público, é bom que a gente sempre lembre disso.

    E quanto aos parentes que colocam a todo momento o presidente em saia justa, posso dizer que conheci pessoalmente o então presidente Fernando Collor de Mello, pessoa preparada, de bom discurso e como dizia “saco roxo”. E mesmo com as suas qualificações caiu justamente por causa do mais próximo, Pedro Collor, seu irmão, que jogou no ventilador e colocou tudo a perder ao dar entrevista à revista Veja em 1992.

    Portanto, bom senso e caldo de galinha não faz mal a ninguém.

    *Jornalista


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