Palmas (TO),

  • LEIA TAMBÉM

    07/02/2020

    Área de quarentena de brasileiros terá telão, pula-pula e quarto com TV

    A previsão é que as duas aeronaves que devem trazer os repatriados cheguem a Anápolis entre meia-noite e 1h de domingo (9).

    ©Reuters
    Dentro, quartos com TV, cama box, frigobar e uma pequena mesa para refeições. Do lado de fora, uma área verde com pula-pula para crianças e tenda com cadeiras e uma tela para filmes.

    Assim é parte da área montada junto do Hotel de Trânsito de Aeronáutica em Anápolis (GO), espaço onde um grupo de 34 pessoas, entre brasileiros e familiares chineses, devem ficar em quarentena por 18 dias após serem trazidos de Wuhan, cidade hoje isolada e epicentro da epidemia do coronavírus na China.

    Somados tripulantes e equipe médica, o número pode subir para 58. A inclusão na quarentena, porém, dependerá do grau de contato com o grupo na viagem.

    A previsão é que as duas aeronaves que devem trazer os repatriados cheguem a Anápolis entre meia-noite e 1h de domingo (9). Ao chegar, todos devem passar por nova avaliação médica e ter amostras respiratórias coletadas para exames capazes de verificar se houve infecção pelo vírus, ainda que sem sintomas.

    Em seguida, cada pessoa ou família será levada a um dos 38 quartos no hotel, localizado em um espaço dentro da base aérea de Anápolis. "Sejam bem-vindos à pátria amada", diz uma placa no corredor com a imagem de um VC-2, aeronave usada no trajeto.

    O modelo de cada quarto varia conforme o número de ocupantes. Há, no entanto, itens comuns a todos eles. Além da cama, cada quarto tem um guarda-roupa, TV, ar-condicionado e uma pequena mesa redonda de vidro com uma cesta de frutas e doces.

    Também há um gaveteiro com caixas de máscaras e luvas. Na parede ao lado da porta, há um suporte de álcool gel. O banheiro foi equipado com itens como xampu, sabonete e lâmina de barbear.

    Para famílias com crianças pequenas, foi colocado um berço com o nome da criança, em cores azul e rosa. Outros têm uma segunda cama ou poltrona para leitura.

    "Temos, por exemplo, uma mãe com filho pequeno, um casal sem filhos, outro com filhos, além de homens, senhoras que ficarão em quartos isolados e três diplomatas", diz o comandante da missão chamada de Operação Regresso, tenente-brigadeiro do ar Marcelo Kanitz Damasceno, sobre o perfil de parte do grupo.

    A rotina na quarentena, porém, não ficará restrita aos quartos. Aqueles que desejarem poderão circular por áreas comuns, que incluem um jardim interno, brinquedoteca e lavanderia, além da área externa com espreguiçadeiras e a tenda com telão.

    A circulação obedecerá a um protocolo, que envolve o uso de máscaras, álcool gel e lavagem frequente das mãos com sabonete líquido. Uma apresentação de boas-vindas será dada na manhã de domingo (9).

    Na ocasião, o grupo deve ser informado sobre a rotina de checagem de condições vitais três vezes ao dia e a programação de entretenimento, a qual deve envolver filmes e até mesmo a apresentação de uma banda. Equipes também devem frisar as regras de proteção, como uso correto das máscaras.

    "Vez por outra, vamos reforçar essas orientações para que tenhamos um bom convívio no nosso condomínio", afirma Damasceno. Segundo ele, a visita é proibida. A equipe, porém, diz ter reforçado a internet para que as pessoas mantenham contato com familiares.

    Ao todo, serão servidas cinco refeições diárias, que ficarão dispostas em uma mesa em um corredor. O grupo, porém, não poderá entrar em com os funcionários.

    Há possibilidade de alguns profissionais de apoio circulem no local, mas também mediante protocolos que evitam contato próximo. Nesta sexta, a equipe passou por treinamento. "O risco é mínimo", diz o diretor de doenças transmissíveis do Ministério da Saúde, Julio Croda.

    Segundo ele, o espaço foi construído de acordo com protocolos sanitários, mas mantendo o conforto. "É uma estrutura de hotel quatro e cinco estrelas", avalia.

    A saída da quarentena será condicionada ao resultado do exame coletado no 14º dia – o prazo equivale ao mesmo período adotado pelo Ministério da Saúde para verificar eventuais casos de suspeita da infecção. "Só iremos liberar [da quarentena] se for negativo", diz.

    Até lá, o grupo deve viver dentro dos cerca de 900 metros quadrados separados dentro da base aérea. "Chamamos até de sítio de acolhimento, porque parece com um sítio", afirma Damasceno.

    "É chato, vão passar 18 dias aqui, mas é o que a Organização Mundial de Saúde prevê. Não tem uma rotina, mas tem televisão, entretenimento e parte externa", diz o ministro da Defesa, Fernando Azevedo e Silva, em entrevista após apresentação do local à imprensa.De acordo com o ministro, as duas aeronaves que partiram de Brasília na quarta-feira (5) para buscar o grupo chegaram em Wuhan no início da tarde desta sexta (7). A previsão é que eles deixem o local por volta de 17h30.

    Antes, devem passar por avaliação médica para confirmar a ausência de febre e outros sintomas, condição para que possam embarcar.

    Esse embarque deve ocorrer por uma porta separada da usada pela tripulação e usar máscaras sobre o nariz e a boca. No voo, o contato será restrito à equipe médica, que deve checar periodicamente as condições de cada passageiro – daí a previsão de condições diferentes conforme o grau de contato da equipe. O tempo de viagem previsto para o retorno é de 26 horas.

    Além dos brasileiros e familiares chineses, o governo deu aval para que fossem levados no avião outras seis pessoas, as quais incluem poloneses, um indiano e um chinês. Eles devem desembarcar em Varsóvia, cidade onde está prevista a primeira entre as quatro escalas da viagem.

    Em evento para divulgar o local, o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, cumprimentou Bolsonaro por ter permitido a operação. "Isso vai fazer com que os brasileiros passem a refletir mais sobre o que é ser brasileiro e a importância de serem protegidos por sua nação. Imagino uma pessoa que está em um país e o país nega para ele a condição de ser repatriado. Uma nação que não cuida dos seus próprios filhos, que imagem passa para fora?", disse.

    Inicialmente, porém, o presidente Jair Bolsonaro chegou a dizer que não tinha a intenção de buscar o grupo. A decisão por fazer a operação ocorreu após brasileiros divulgarem vídeos pedindo apoio do governo para retorno.

    Para o prefeito de Anápolis, Roberto Naves (PP-GO), a população da cidade "pode ficar tranquila". "Existe toda uma estrutura montada, até para cuidar das roupas que essas pessoas trarão", afirma.

    NAOM-FOLHAPRESS

    Imprimir