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    06/03/2020

    ARAGUAÍNA| Vencedoras: “Tenho combatido o bom combate”, conta aposentada Rizeuda Parente

    Uma história marcada por lutas, vitórias, perdas e ganhos. Dona Rizeuda Parente Aires é a terceira personagem da Série Vencedoras, em homenagem às mulheres de Araguaína

    Natural de Exu, em Pernambuco, foi adotada por Araguaína no ano de 1975, após sofrer a perda do esposo, assassinado ©Marcos Sandes
    Os cabelos brancos não são apenas as marcas que comprovam a experiência de vida da aposentada Rizeuda Parente Aires, de 81 anos. É na memória e no coração que ela também guarda as lembranças de uma história cheia de lutas, vitórias, perdas, ganhos, mas sempre sustentada pelo amor. Ela é a terceira personagem da Série Vencedoras, em homenagem às mulheres de Araguaína.

    Natural de Exu, em Pernambuco, foi adotada por Araguaína no ano de 1975, após sofrer a perda do esposo, assassinado. Na época, o Nordeste vivia a realidade de fortes disputas entre famílias que resultaram em uma série de crimes e ameaças ao povo da época. Diante do cenário para conseguir criar os cinco filhos, frutos dos 15 anos de casamento, escolheu sair do lugar.

    “Mulher, viúva aos 33 anos, com cinco filhos, sendo o menor com dois anos de idade e a mais velha adolescente, me vi com a decisão de livrar meus filhos daquela realidade. Quando saí de Exu, tinha só a cara e a coragem, mas nunca passou pela cabeça desistir, a partir daí, vivi para amar meus filhos e lutar pelo melhor pra eles”, contou dona Rizeuda.

    Araguaína cidade hospitaleira

    Sempre determinada, Rizeuda acompanhou o crescimento da época e mesmo sendo mulher, esposa e mãe concluiu, ainda em Pernambuco, a formação no magistério, algo difícil naquele tempo. Trabalhou em algumas escolas em Pernambuco e ao mudar para Araguaína não demorou muito a mostrar sua garra profissional.

    “Araguaína me acolheu muito bem, logo ao chegar, por auxílio de um irmão que também decidiu conhecer a cidade, consegui vaga para trabalhar na secretaria do Colégio Santa Cruz. Foi quando percebi que não estava desamparada e procurei fazer sempre bem minha função para manter o ganha pão de sustentar meus filhos”, lembrou a aposentada.

    De auxiliar de secretaria, assumiu a função de coordenadora, tornando-se em seguida secretária da escola. “Ah, eu até hoje lembro dessa época, como amava aquele lugar, pessoas simples, foi minha primeira oportunidade de emprego nessa terra hospitaleira”.

    De secretária escolar a empreendedora

    “Senti medo sim, de todas as responsabilidades que a vida me deu, mas, nunca me fragilizei com isso. Decidi aceitar o convite para uma sociedade com meu irmão, em uma loja de ferramentas que abrimos em 1977, um novo rumo para nossas vidas”, contou.

    A loja de ferramentas tem, atualmente, 33 anos de existência. Hoje aposentada, dona Rizeuda lembra que se dividia entre atendente, caixa e o que fosse necessário para manter o atendimento funcionando. Ao longo dos anos, os três filhos homens também aprenderam o oficio e assumiram o negócio da família.

    Perdas

    Além do marido, dona Rizeuda sofreu a perda de um neto ainda criança, e há três anos se despediu do filho mais novo. “A minha vida foi muito marcada pela saudade. Dói muito a falta deles, foram os momentos mais dolorosos de todos”, disse emocionada.

    Apesar da dor exposta pelos olhos, a aposentada segue a vida alimentada de muita fé, simplicidade, modéstia. Avó de 10 netos e um bisneto, segue os dias lembrando sempre do amor que cultivou ao longo dos anos.

    “Posso dizer que sempre combati o bom combate e, principalmente, guardei a fé em todos os momentos, acredito que isso junto ao amor que dei e recebi, é o que me mantém sempre de pé”, resume dona Rizeuda.
    ©Marcos Sandes


    Por: Adriana Santana


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