Palmas (TO),

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    01/09/2020

    Gravidez na adolescência: fere direitos fundamentais de crianças e adolescentes, e pode trazer complicações físicas e psicológicas

    A taxa mundial de gravidez na adolescência é estimada em 46 nascimentos por cada 1.000 entre meninas entre 15 e 19 anos, correspondendo a 21,73%, já no Brasil a taxa é de 50%, sendo a maior do mundo.

    A gravidez precoce gera consequências graves na vida dos adolescentes ©Seciju
    A adolescência é um momento de transição para a vida adulta e recheada de descobertas e possibilidades, mas, e quando este percurso é acometido por uma gravidez precoce que pode trazer complicações desastrosas para a gestante e para o bebê. Preocupado com isso, a Secretaria de Estado da Cidadania e Justiça (Seciju), integrante do sistema de garantia de direitos de crianças e adolescentes, alerta sobre as consequências de uma gravidez precoce, com o objetivo de assegurar a esse grupo, manejos quanto à prevenção e o direito a serviços e a cuidados da saúde sexual e reprodutiva enquanto sujeitos em desenvolvimento.

    Consequências da gravidez na adolescência

    A Organização Mundial da Saúde (OMS) estabelece como gravidez na adolescência a gestação que ocorre entre os 10 aos 19 anos, sendo considerada de risco por multifatores. Para o psicólogo clínico, Matheus Eije Glória, gravidez não intencional na adolescência altera os padrões comportamentais que abarcam a afirmação da personalidade nesse período da vida, o desenvolvimento sexual e espiritual, a busca e realização dos projetos de vida, a auto-estima e a capacidade de pensamento abstrato. “A gravidez na adolescência gera diversas consequências para a vida toda, com possibilidade de prejuízos para o desenvolvimento social e econômico dos adolescentes que se tornam mães e pais precocemente, além de riscos à saúde do bebê e da adolescente”.

    Matheus complementa dizendo que além das implicações psicológicas, há fatores de risco como infecções sexualmente transmissíveis, como a síndrome da imunodeficiência adquirida (AIDS), e ressalta que o diálogo aberto com os pais sobre sexualidade, consultas regulares com médicos especialistas, uso de métodos contraceptivos e conhecimento sobre planejamento familiar, são os melhores fatores de proteção.

    Dentre todos estes perigos, há também a pré-eclâmpsia e eclâmpsia; parto prematuro; bebê com baixo peso ou subnutrido; complicações no parto, que pode levar a uma cesárea; infecção urinária ou vaginal; aborto espontâneo, até problemas sociais como a evasão escolar, conflitos familiares e abandono, compondo o rol das complicações geradas por uma gravidez precoce.

    Números de gravidez no Tocantins

    Dados atualizados do Banco do Sistema de Informações sobre Nascidos Vivos (SINASC), do Ministério da Saúde, Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM) e População (RIPSA / IBGE), revelam que pelo menos 151 dos nascidos vivos, são de meninas de 10 a 14 anos e 2.317 de 15 a 19 anos.

    A gerente de Promoção dos Direitos da Criança e do Adolescente da Seciju, Rejane Alves, reforça o dever de toda a rede em assegurar por meio de programas, projetos e ações os direitos sexuais de crianças e adolescentes. “Precisamos pensar maneiras efetivas de prevenção da gravidez precoce, garantido às crianças e adolescentes conhecimento de sua sexualidade, e direitos sexuais e reprodutivo”, conclui.

    Por: Márcia Rosa


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