Palmas (TO),

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    01/10/2020

    Bolsonaro anuncia indicação de Kássio Nunes Marques para vaga no Supremo Tribunal Federal

    Marques é desembargador do Tribunal Regional Federal da 1ª Região. Após indicação, magistrado terá de passar por sabatina e aprovação no Senado.

    O desembargador federal Kassio Nunes Marques ©Divulgação/Ascom/TRF-1

    O presidente Jair Bolsonaro anunciou nesta quinta-feira (1º) que vai indicar o desembargador Kassio Nunes Marques, de 48 anos, para assumir a vaga de ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) no lugar de Celso de Mello, que antecipou a aposentadoria.


    Segundo Bolsonaro, a indicação será publicada no "Diário Oficial da União" desta sexta (2). Marques é atual desembargador do Tribunal Regional Federal da 1ª Região, que tem sede em Brasília.


    "Sai publicado amanhã no Diário Oficial da União, por causa da pandemia nós temos pressa nisso, conversado com o Senado, o nome do Kassio Marques para a nossa primeira vaga no Supremo Tribunal Federal", declarou o presidente durante transmissão em rede social.


    "Nós temos uma vaga prevista para o ano que vem, também. Esta segunda vaga vai ser para um evangélico, tá certo? Agora, tá levando tiro, qualquer um que eu indicasse estaria levando tiro. Tinha uns dez currículos na minha mesa."


    Após a publicação, Marques ainda terá de passar por sabatina no Senado Federal e ter o nome aprovado em plenário, pela maioria absoluta dos senadores. O rito é definido pela Constituição Federal.


    Amizade é critério 'importante'


    Bolsonaro declarou, na transmissão, que a amizade dele é um critério "importante" para fazer a indicação dos ministros. Além de ser evangélico, o candidato a assumir a vaga do ministro Marco Aurélio Mello (que se aposentará por idade em 2021) terá de "tomar tubaína" com o presidente.


    "A questão de amizade é uma coisa importante, né. O convívio da gente. Eu vou indicar o ano que vem, primeiro pré-requisito: tem que ser evangélico, 'terrivelmente evangélico'. Segundo pré-requisito: tem que tomar tubaína comigo, pô", diz Bolsonaro.


    "Não adianta chegar um currículo agora aqui, maravilhoso, dez. Dez, o currículo, indicado por autoridades, dez. Mas se eu não conhecer, não vou indicar. O meu compromisso é com um evangélico", prosseguiu.


    "Quando no passado falavam que tinha que ter um negro, tinha que ter uma mulher, ninguém falava nada. Quando eu falo que tem que ter um evangélico... Mas não é só porque é evangélico, tem que ter conhecimento de causa também. Tem que transitar em Brasília, conhecer gente do Supremo, conhecer o parlamento".


    Bolsonaro afirmou, ainda, que a intenção ao indicar um ministro evangélico será defender interesses conservadores e "ganhar alguma coisa lá também", em referência aos temas que são levados ao STF.


    "Eu quero botar uma pessoa lá, não é para votar certas coisas e perder por 10 a 1, tudo. 'Ah, eu votei contra'. Não, eu quero que essa pessoa vote com suas convicções, de acordo com o interesse dos conservadores, mas que busque maneira de ganhar alguma coisa lá também", disse.


    Resposta às críticas


    Ao anunciar a indicação de Kassio Marques, Bolsonaro criticou, sem citar nomes, outros candidatos à vaga que teriam feito comentários negativos sobre o desembargador.


    "Agora, o que é lamentável. Das dez, escolhe uma. Das nove restantes, metade, quatro, cinco começam a atirar no cara. Acusar de comunista, socialista, ligado ao PT. Olha, todo mundo aqui, ao longo de 14 anos de PT, teve alguma ligação. Não é por causa disso que o cara é comunista, socialista", declarou.


    Bolsonaro também defendeu o currículo de outros nomes cogitados como "supremáveis", como os atuais ministros da Justiça, André Mendonça, e da Secretaria-Geral da Presidência, Jorge Oliveira – e disse que ambos ainda estão "na fita".


    "Falam que ele [Kassio] é desarmamentista, não tem nada a ver. Conheço muito ele, já tomou tubaína comigo. A questão de família, ele é católico, é família. Tenho certeza que vocês vão gostar do trabalho dele no Supremo Tribunal Federal", disse.


    Ao ironizar as críticas, o presidente da República citou ainda o ex-ministro da Justiça Sergio Moro – que, segundo ele, era um dos nomes mais pedidos para ser indicado ao STF. Moro deixou o governo em abril, quando acusou Bolsonaro de tentar interferir politicamente na Polícia Federal.


    "Até mais ou menos abril desse ano, vocês queriam quem para o Supremo, e me acusavam? Vocês queriam o Sergio Moro, não era isso? E me ameaçavam o tempo todo, 'se não for o Sergio Moro pro Supremo, acabou, acabou'. E agora, você quer que eu troque o Kassio pelo Sergio Moro?", questionou aos espectadores da live.


    Substituição em andamento


    O nome do Kassio Marques surgiu como um dos principais cotados para a vaga no início da semana, quando o desembargador se reuniu com Bolsonaro e o ministro Gilmar Mendes, segundo informou o Blog do Camarotti. O ministro Dias Toffoli, que deixou a presidência do STF em setembro, também participou da conversa.


    Celso de Mello comunicou à presidência do STF que vai se aposentar em 13 de outubro, embora a data para a aposentadoria compulsória seja 1º de novembro, quando completa 75 anos.


    Com a decisão, o decano (ministro mais antigo) do Supremo deve adiantar sua saída em pouco mais de duas semanas.


    Eleição nos EUA


    Durante a transmissão em rede social, Bolsonaro também comentou o debate entre os candidatos à presidência dos Estados Unidos, Joe Biden e Donald Trump, na última terça (29).


    Biden acusou o atual presidente Trump de não usar sua influência para ajudar a defender a Amazônia brasileira – e disse que, se eleito, vai tentar reunir outros países para agir nesse sentido, inclusive ameaçando o Brasil economicamente.


    "A gente lamenta o debate dos Estados Unidos. O Biden falou que ia conseguir 20 bilhões de dólares pra dar pra gente acabar com incêndio na Amazônia, e iria impor sanções a nós [...] Nós já restabelecemos a diplomacia com Trump. O Biden, não sei se pra ganhar voto, está querendo parece que romper o relacionamento com o Brasil por causa da Amazônia", disse.


    "Sabemos que alguns países têm interesse na Amazônia, nós temos que dissuadi-los disso. Como fazer? Ter as Forças Armadas preparadas. Elas foram sucateadas nos últimos 20 anos, parece que a intenção era humilhar militares", prosseguiu Bolsonaro.


    Por Mateus Rodrigues e Roniara Castilhos, G1 e TV Globo — Brasília


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