Palmas (TO),

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    18/12/2020

    Maia diz que Bolsonaro mentiu e é o responsável por não pagamento do 13º do Bolsa Família

    Presidente da Câmara reagiu à fala do presidente da República, que o culpou pela não votação do 13º do programa Bolsa Família.

    Maia diz que Bolsonaro mentiu e que governo é responsável por não expandir Bolsa Família ©ARQUIVO
    O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), disse nesta sexta-feira (18), em discurso na tribuna do plenário, que o presidente Jair Bolsonaro mentiu e que o governo federal é responsável por não expandir o programa Bolsa Família.

    Maia deu a declaração após Bolsonaro acusá-lo de não colocar em votação o pagamento da 13ª parcela do Bolsa Família. Como presidente da Câmara, cabe a Maia o comando das pautas de votação da Casa.

    De acordo com Rodrigo Maia, a MP não foi votada porque o próprio governo não queria que o texto fosse aprovado.

    "O episódio, mais um episódio ocorrido no dia de ontem [quinta-feira], quando infelizmente o presidente da República mentiu em relação a minha pessoa. Aliás, muita coincidência, a narrativa que ele usou ontem, com a narrativa que os 'bolsominions' usam há um ano comigo em relação às MPs que perdem validade nessa casa. É a mesma narrativa”, afirmou Maia.

    O Palácio do Planalto informou que não vai comentar as declarações de Maia.

    Nesta quinta-feira (17), na transmissão ao vivo semanal pelas redes sociais, Bolsonaro disse que Maia era o culpado pelo fato de os beneficiários do Bolsa Família não terem recebido a 13ª parcela do benefício este ano.


    "O 13º do salário do Bolsa Família: não teve este ano porque o presidente da Câmara deixou caducar. Cobra do presidente da Câmara", disse o presidente.

    Maia usou o discurso na tribuna da Câmara para dar uma resposta a Bolsonaro. Antes, Maia decidiu colocar em pauta uma medida provisória que prorrogou o pagamento do auxílio emergencial, incluindo nela o pagamento do 13º do Bolsa Família em 2020.

    “Já que o governo quer o 13º do Bolsa Família, vão poder defender a medida na MP do auxílio”, disse o presidente da Câmara ao blog de Andréia Sadi.

    Aliados do Planalto consideraram a decisão de Maia uma retaliação à declaração do presidente e passaram a articular a retirada da matéria de pauta para evitar desgaste político para o governo.

    No discurso, Maia ressaltou que a articulação para retirar o texto de pauta mostrou que é o governo que não quer votar a expansão dos programas sociais.

    "Eu precisava fazer o meu discurso para resguardar a imagem desta Casa e da minha presidência. Porque amanhã a narrativa vai deixar de ser do 13º do Bolsa Família, e ele vai dizer que fomos nós que acabamos com o auxilio emergencial porque não votamos a MP", afirmou Maia.

    Mais cedo, o líder do governo na Câmara, Ricardo Barros (PP-PR), havia entrado em campo para tentar apaziguar os ânimos.

    O deputado publicou uma mensagem nas redes sociais dizendo que a MP que previa o 13º do Bolsa Família não foi votada, porque não havia recursos para arcar com o abono natalino para o Benefício de Prestação Continuada (BPC), incluído no texto durante a tramitação da matéria, eximindo Maia de responsabilidade pela matéria não ter sido votada.

    Maia se referiu à fala de Barros em seu discurso.

    "Como disse o líder do governo, não há interesse por parte da base do governo e do governo pelo seu líder de votar essa matéria [MP], porque ela já fez os seus efeitos", disse.


    Por Luiz Felipe Barbiéri e Elisa Clavery, G1 e TV Globo — Brasília


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