Palmas (TO),

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    21/01/2021

    PANDEMIA| Médicos de Manaus descrevem nova variante do coronavírus como mais rápida e letal

    Pesquisador da Universidade Federal do Amazonas disse que situação ainda é agravada por colapso na saúde do estado

    A nova variante do coronavírus que surgiu em Manaus (AM) têm gerado alarme entre os profissionais de saúde do estado. Os pacientes que buscam os prontos-socorros estão com infecções mais graves e rápidas do que a vivenciada na primeira onda.

    Os registros da doença também mostram que subiu o número de mortes entre os jovens. Nos últimos 30 dias, quatro em cada dez vítimas fatais tinham menos de 60 anos no Amazonas.

    Em entrevista para o UOL, o infectologista e pesquisador Noaldo Lucena disse que algo de muito diferente está ocorrendo em Manaus. Ele atua em clínica popular, atendimento domiciliar e hospitais públicos.

    “Não sei informar se é uma ‘cepa’ nova ou se é algo diferente. Mas quem está na linha de frente está vendo um aumento da gravidade dos casos”, relatou.

    O profissional alegou ainda os riscos causados pela nova variante não é somente a maior contagiosidade.

    “Claramente estamos diante de um ser invisível que é muito mais patogênico e transmissível. Hoje chegam famílias inteiras com os sintomas ao mesmo tempo, antes era um de cada vez”.

    Lucena explicou que das últimas 150 pessoas que atendeu na clínica e das 300 no serviço público, apenas 2% apresentaram comprometimento leve do pulmão, os demais tiveram comprometimento acima de 50%.

    “Alguns com 70%, 80%, 90%, com necessidade de internação imediata e até suporte ventilatório. Você ausculta o pulmão do paciente e não escuta nada. Mas, quando vemos a imagem tomográfica, não acredita como há um comprometimento tão grande com tão pouca repercussão clínica notória”.

    Morte entre jovens subiu

    O UOL analisou os dados recentes de óbitos nos cartórios do estado, foram registrados 710 óbitos no Amazonas, dos quais 285 de pessoas com menos de 60 anos, 40,1% do total. Antes desse período, esse percentual era de 36,5%.

    “Sem dúvida muito mais jovens estão morrendo. Não estamos falando só de grupo de risco: isso está em todas as faixas etárias, atingindo bebês, crianças, adolescentes mesmo sem comorbidade”, aponta a infectologista Silvia Leopoldina, que também atua nas redes públicas estadual e municipal de Manaus.

    A médica afirma que antigamente os primeiros sintomas de gravidade apareciam em torno do décimo dia em diante. “Agora têm pacientes que, com sete, oito dias, estão com comprometimento de 75% dos dois pulmões.”

    Disse ainda que o encurtamento no tempo de agravamento dificulta a recuperação. “Silenciosa demais”, disse.

    Colapso na saúde

    O professor Bernardino Albuquerque, da Universidade Federal do Amazonas (UFAM) e pesquisador da Fiocruz Amazônia, avaliou que, a partir do final de dezembro, houve uma saturação no atendimento clínico no estado.

    “Temos visto pacientes esperando horas em uma ambulância. O estado clínico fica agravado por essa peregrinação, além de faltar insumos”, diz.

    “Se tivéssemos um sistema de saúde preparado para atender esse segundo momento, não haveria tantas mortes. O governo desmontou toda estrutura que tinha antes, estamos começando tudo de novo”, ressaltou o pesquisador.

    CE

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