Palmas (TO),

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    22/04/2021

    Acesso a crédito avança, mas MPEs precisam de mais atenção para voltar a crescer

    Analista nacional do Sebrae avaliou conjuntura nacional para conselheiros da entidade no Tocantins

    ©REPRODUÇÃO
    A chegada do Pronampe ajudou a diminuir a diferença do acesso ao crédito facilitado e com juros menores entre micro e pequenas empresas em comparação com as facilidades ofertadas aos médios e grandes negócios. Ainda assim, os R$ 37,5 bilhões liberados nesta modalidade de financiamento representaram apenas 11,3% do total de recursos disponibilizados nas operações de crédito em 2020.

    As taxas de juros praticadas para os pequenos negócios ainda estão muito mais altas se comparadas àquelas ofertadas aos grandes e médios empreendimentos, chegando a 20 pontos percentuais de diferença. A avaliação é de Giovanni Bevilaqua, doutor em Economia pela Universidade de Brasília e Analista do SEBRAE Nacional. Ele foi o convidado especial para apresentar ao Conselho Deliberativo Estadual do SEBRAE Tocantins (CDE-TO) um panorama do mercado de crédito no Brasil, em especial para os pequenos negócios.

    O debate contou com representantes das 15 instituições que compõem o conselho e foi realizado durante a 3ª Reunião Ordinária de 2021. Para o economista, o cenário futuro aponta para uma retomada lenta do crescimento da economia e da atividade produtiva, cenário que está diretamente ligado ao avanço da vacinação da população brasileira contra o COVID. Por conta disso, a inflação deve continuar subindo e mexendo com a SELIC, que deve ter novos aumentos.

    Para o presidente Rogério Ramos a participação do economista confirmou as percepções dos conselheiros para o cenário econômico e reforçou a importância da atuação do SEBRAE na qualificação do tomador de crédito e na defesa de políticas mais igualitárias para os pequenos negócios. “Quando o SEBRAE tem a chance de ajudar o empreendedor a planejar a tomada de crédito e a empregar os recursos com eficiência no negócio, os índices de sucesso são maiores, reduzindo o risco de inadimplência. Sabemos que nossa atuação será fundamental para ajudá-los a superar esse momento difícil da economia e a lutar por condições melhores na concessão de crédito para os pequenos negócios”.

    Na opinião do superintendente Moisés Gomes, o acesso a crédito já avançou para o pequeno negócio, mas ainda precisa melhorar: “Outras ferramentas devem ser colocadas em ação para que os bancos tenham mais condições de atender as empresas. Outro ponto importante é que o Sebrae já está conseguindo atender quase 48% dos tomadores de crédito do Fampe, ajudando nas decisões de contratação dos recursos e na correta utilização para a manutenção e o crescimento da empresa. A nossa meta é ampliar esses atendimentos”.

    INDICADORES

    Segundo o economista, os principais indicadores que medem o desempenho da economia brasileira caíram em poucos meses, o que na Grande Depressão de 1930 levou três anos para acontecer. A média do faturamento das empresas caiu cerca de 70% em abril do ano passado no início da pandemia e para alguns setores, como o turismo, economia criativa, o impacto foi ainda maior. Bevilaqua destacou uma pesquisa realizada pelo SEBRAE que mostrou a visão dos empresários sobre a principal medida governamental para ajudar os pequenos negócios, onde elegeram as linhas de financiamento e, em segundo lugar, o auxílio emergencial. Ambas medidas foram concretizadas em 2020 e, segundo o economista, o volume de financiamento aumentou de forma considerável chegando a 30,5% no ano passado em relação a 2019.

    Além disso, 39% das empresas que recorreram às instituições financeiras conseguiram recursos, sendo que do total de beneficiados, 28% eram MEIS e 48% Micro e Pequenas Empresas. Bevilaqua chamou a atenção para o crescimento da participação na concessão de crédito por instituições não bancárias, como agências de fomento e cooperativas de crédito. Isso ocorreu por conta da mudança nas políticas de atendimento aos pequenos negócios, que tende a reduzir o risco das operações como também atender empresas que não têm acesso aos grandes bancos.

    O economista sugeriu atenção para alguns pontos que podem interferir na economia nacional: a aprovação do Orçamento Federal, os índices de crescimento mundial, o nível de endividamento das empresas e famílias brasileiras, a aprovação do Pronampe Permanente, na transformação digital e no crescimento das instituições financeiras não-bancárias. Em consenso, os conselheiros se manifestaram pela necessidade de reformular a legislação para que o acesso a crédito aconteça em condições igualitárias para os pequenos negócios.

    ASSECOM

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